segunda-feira, 2 de abril de 2012

PAI DO ROCK BRASILEIRO

Quem não tem colírio, usa óculos escuros!

Estreou no último dia 23 de março o filme sobre a vida de Raul Seixas, um dos maiores músicos brasileiros da década de 70 e considerado o pai do Rock Brasileiro. O baiano Raul Seixas era louco por este estilo e discos voadores. Aprendeu a gostar ouvindo os discos emprestados  pelos vizinhos, funcionários do consulado norte-americano na cidade de  Salvador. Aos 12 anos fundou o conjunto "The Panthers" ou "Os Panteras", como ficou conhecido mais tarde. Foi o primeiro, junto com Waldir  Serrão, a fundar o primeiro fã clube de Elvis Presley no Brasil. 
A obra de Raul é extensa e retrata o momento social e político do Brasil na década de 70. As críticas aos valores sociais estão presentes em várias de suas letras, mostrando o lado anárquico do compositor. Outra característica da sua obra é a influência da música nordestina. Músicas como Let me sing, Let me sing, Como vovó já dizia, Capim-Guiné entre outras trazem o ritmo do baião e da toada como uma das marcas inconfundíveis do estilo eclético e voraz da composição de Raul.
Como já dizia, ele foi a mosca que pousou na sua sopa, não querendo provar nada. Simplesmente curtir o roquezinho antigo e trazer os questionamentos que até hoje são pertinentes a qualquer pessoa dentro de uma sociedade capitalista em busca de um 'ouro de tolo'. Em 'Metamorfose Ambulante', afirma que prefere a transformação constante do que manter a 'velha opinião formada sobre tudo',  numa crítica velada aos valores sociais de então. Embora muitos o considere como umanarquista ateu, demonstra em algumas músicas como 'Tente Outra Vez' uma fé simples, verdadeira e bela: 
Veja, não pense que a canção está perdida 
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida 
Tente outra vez... 
Em um período cercado pela censura da ditadura militar, Raul Seixas conseguiu - sem fazer uma canção de protesto nos moldes da época - levar a crítica de uma maneira leve e direta a todos. Afinal, quem não tem colírio, que use óculos escuros. 
Uma das músicas mais incompreendidas e belas de toda a sua obra foi Gîtâ. Baseada no texto sagrado hindú  Bhagavad Gita (Canção de Deus), capítulo Raja-Yoga Vidya-Guhya, onde Krishna explica o panteísmo "todos os seres estão em mim" trás consigo uma possível relação e discussão entre a filosofia cristã e a Vaishnava, onde apresenta Deus cantando em primeira pessoa. É um dos mais belos textos musicais da década de 70 e foi por um bom tempo alvo de releituras infundadas e preconceituosas.

Após a morte dele, houve um ostracismo da sua obra, então relegada aos seus fãs.  Mas passados 20 anos, ela está sendo redescoberta. É uma obra inigualável e riquíssima para a reflexão e construção de um sujeito crítico e cidadão participante da sociedade. Alternativa ou não. Portanto, vá ao cinema para conhecê-lo melhor e não tenha receio de pedir: 
Toca Raul!!!

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